É inegável que é muito mais conveniente, chegar ao supermercado e comprar umas quantas garrafas de chá, é muito mais fácil do que ter de preparar a infusão, e esperar que arrefeça, cada vez que lhe apeteça uma xícara de chá bem fresquinho.

Mas será que tem os mesmos efeitos benéficos?

De acordo com a informação publicada na base de dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o conteúdo de flavonoides – os químicos benéficos para a saúde presentes no chá – em produtos engarrafados, é um 91 % inferior ao encontrado numa xícara de chá preparada a partir de folhas de chá. 

Ou seja, o chá engarrafado não tem nem um décimo do conteúdo de moléculas saudáveis presentes no chá feito em casa. 

A origem das diferenças

De acordo com um estudo realizado por médicos da Universidade Médica Chung Shan de Taiwan, quando se prepara uma xicara de chá, os químicos nela contidos vão-se degradando lentamente, pelo menos durante os primeiros dois dias. A partir dai a degradação é mais pronunciada e o chá perde a maioria das moléculas saudáveis que o caracterizam. 

Então, o que acontece quando o chá é engarrafado numa fábrica, transportado através da terra ou do mar, armazenado em armazéns e prateleiras de supermercado antes de ser consumido, muitos dias depois de ter sido preparado? Não tem como não ser um produto de qualidade inferior.

Para além disso, qualquer bebida que esteja a ser vendida ao público, deve ter uma data de validade ampla e ainda assim garantir que se encontra livre de germes e outros contaminantes.

Para garantir que assim é, os fabricantes devem empregar técnicas de conservação. A mais conhecida é o tratamento térmico. No entanto, existem outras opções, como a adição de ácido ascórbico – também conhecido como vitamina C – ou ácido cítrico. 

Quando o chá é submetido a um tratamento térmico para esterilização, a natureza das catequinas que o compõem muda drasticamente. Onde antes havia abundância de EGCG, a catequina reconhecida como benéfica para a saúde pela maioria dos estudos científicos, passa a haver GCG, outro tipo de catequina à que não se reconhecem efeitos saudáveis. 

Para evitar esta transformação, podem-se usar como conservantes os ácidos já mencionados. No entanto, nenhum destes métodos garante a conservação de todas as características do chá.

De acordo com estudos realizados em Hong Kong, um dos maiores mercados de consumo de chá engarrafado do mundo, a adição de ácido ascórbico ao chá consegue manter a concentração de catequinas na garrafa apenas durante o primeiro mês. Passado esse tempo a concentração destas substâncias diminui radicalmente, e ao fim de 6 meses são quase indetetáveis.  

O ácido cítrico consegue uma melhor performance, e os chás conservados com este químico mantém 30% da sua concentração original de catequinas ao fim de seis meses. 

Por último, resta mencionar que os chás utilizados para fabricar chá engarrafado costumam ser de má qualidade; as sobras do que não é vendido para outros usos. A concentração de catequinas é proporcional à qualidade das folhas de chá utilizadas. Ou seja, um chá engarrafado é forçosamente um produto de má qualidade, quase sempre com uma elevada concentração de açúcar e aromatizantes.

Como preparar um chá frio

Cada chá é um mundo e o mesmo se pode dizer de cada paladar. Para decidir que tipo de chá prefere consumir em frio faça primeiro um teste, com pouca quantidade. Tenha em conta que o sabor dos chás muda bastante com a temperatura e o seu chá preto preferido pode perder todo o encanto se o toma frio. 

Uma vez escolhido o chá ideal, se quer garantir que obtém da bebida todas as suas características saudáveis, não a deixe no frigorifico mais de dois dias. Sem catequinas, mas com alguns antioxidantes e outras características benéficas para a saúde, as infusões também fazem ótimos Ice Teas, em especial a de hortelã-pimenta, a de lucia-lima e a de camomila.

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